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Face a Face com a
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Qual o interesse dos investidores na gestão de intangíveis? |
Tomando novamente o exemplo de uma marca, podemos inquirir como a sua
existência afeta os resultados da empresa? O primeiro ponto é a possibilidade
de a empresa obter maiores rentabilidades como resultado de uma marca forte. Na
medida em que o consumidor é exposto a experiências positivas, a companhia se
diferencia, permitindo um prêmio sustentável em seus preços e desenvolvendo a
lealdade do consumidor. Em segundo lugar, uma marca forte traz consigo a
possibilidade de ampliação do mercado, ou seja, crescimento. Isto ocorre pela
fidelização dos clientes atuais, pela captura de novos clientes e finalmente
pela possibilidade de extensão da marca para segmentos correlatos. E por fim, a
marca reduz o risco da empresa, pois haverá menor volatilidade de resultados.
Estudos da Stern Stewart, empresa norte-americana criadora do conceito EVA® (Economic Value Added), dentre outras metodologias vencedoras, e da sua subsidiária especializada em avaliação de marcas, a BrandEconomics®, demonstram que os resultados de empresas que possuem marcas fortes são mais estáveis do que os resultados das empresas que não as possuem. Desta forma, existe uma relação clara entre saúde da marca, lucratividade superior, expectativa de crescimento e redução de risco dos fluxos de caixa. E, certamente, esta correlação ocorre com outros intangíveis, como demonstramos neste estudo.
Além dos impactos diretos no resultado financeiro, uma marca saudável provoca reações positivas nos diferentes stakeholders da empresa: os investidores negociam papéis de marcas proeminentes com mais freqüência; consumidores criam uma relação pessoal com marcas que traduzem o seu estilo de vida; os funcionários trabalham com mais empolgação para marcas mais reconhecidas; os fornecedores e demais parceiros preferem fazer negócios com empresas portadoras de marcas fortes, etc...
O papel dos outros intangíveis possui um paralelo claro com o exercido pela marca. Para que um ativo intangível possua valor, ele certamente terá que impactar o “bottom line” da empresa no médio, ou mais provavelmente, no longo prazo. Além disso, um ativo intangível atua como fator diferenciador da empresa para os diversos stakeholders, criando, desta forma, o que os economistas chamam de externalidades positivas.
Por exemplo, se o conhecimento e a maneira de realizar P&D são ativos intangíveis de uma empresa, estes fatores criarão um efeito positivo na hora de recrutar os melhores engenheiros e criarão uma imagem de empresa inovadora, reforçando sua marca perante os consumidores. Assim, além de possuírem valores intrínsecos claros, os intangíveis também potencializam valor nos ativos tangíveis e mutuamente entre si.
Mas todo esse fenômeno de valoração de intangíveis e de inversão no racional de avaliação de empresas não é causa, mas sim conseqüência de uma série de mudanças que temos, como sociedade e indivíduos, enfrentado nos últimos 10 anos de maneira mais contundente, como apresentado a seguir, no resultado de nosso estudo exclusivo “Os 13 fatores E-Consulting® de competitividade das empresas para os próximos 10-20 anos”.
1.3. Os 13 fatores de competitividade das empresas para os próximos 10-20 anos (Estudo DOM Strategy Partners)
Após meses de pesquisas intensas nas mais variadas camadas da atividade humana e nos mais variados fóruns de temas e assuntos, uma equipe multidisciplinar de 14 pesquisadores, analistas e consultores das áreas de estratégia, negócios, gestão, tecnologia, comunicação, comportamento, economia, política, psicologia e sociologia do Starategy Research Center (Centro de Estudos, Pesquisas e Análises em Estratégia e Negócios) da E-Consulting Corp. chegou ao conjunto dos 13 Fatores que deverão ser adotados como pano-de-fundo a ser considerado e entendido por todo e qualquer agente econômico que busque sobreviver e prosperar competitivamente no futuro estimado dos próximos 10-20 anos.
Cabe ressaltar que, obviamente, nos concentramos mormente na dimensão das empresas e que as especificidades setoriais e regionais foram deixadas de lado em prol do conjunto comum de fatores capazes de nortear a chamada competitividade deste agente econômico tão importante para a humanidade, que apresenta lógica, dinâmica, objetivos e características particulares.
Assim, os 13 fatores selecionados foram:
1º. Fator: Estamos na Era do Conhecimento e isso quer dizer que todo processo empresarial decisório e transacional deverá passar por uma análise do tipo: “O que sabemos sobre isso?”, “Que experiências já tivemos com isso”, “O que ganharemos de know-how com isso; o que aprenderemos com isso?”, “Que valor esse know-how tem; o quão replicável ele é; a quem interessa; como podemos usá-lo”, etc.
2º. Fator: Integração das empresas à lógica global, aonde o fluxo de pessoas, capital e informações será cada vez maior. A premência da definição de uma lógica global de operações (sistemas, modelos, políticas e éticas) é natural. A lógica do networking prevalecerá e quem não souber “coopetir” (cooperar e competir) nesse cenário estará fora do mercado ou relegado a operações pouco representativas.
3º. Fator: Só sobrevive a empresa que souber se diferenciar, algo que chamamos de “uniqueness” (ou singularidade de valor percebido pelo cliente e pelos demais stakeholders). Da biologia, podemos entender por “uniqueness” aquele fator que determinado ser de uma espécie tem, que o diferencia dos demais concorrentes da mesma espécie, garantindo-lhe maior capacidade de sobrevivência e perpetuação.
4º. Fator: Tecnologia
é meio, já que, à exceção das
tecnologias de ruptura e inovação (criadas por empresas que têm na tecnologia
um fim em si próprio),
a
tecnologia por si não assegura diferencial competitivo sustentável às empresas,
por ser facilmente comprável e imitável. De fato, seu real diferencial
se traduz em como é utilizada, escolhida e de que modo são extraídos dela
benefícios para as organizações, como ganhos de vantagem competitiva, ainda que
transitórios (as chamadas janelas de oportunidade).
5º. Fator: Serviços, analogamente aos produtos, deixarão de ser diferencial competitivo, dado que, cada vez mais, terão seu padrão de qualidade normatizado por contratos (tais como SLA e SLM), modelos de qualidade e padrões de gestão (tais como PMI), deixando, nos próximos anos, de representar o diferencial que ainda hoje imprimem às empresas. Vale ressaltar que este item trata do objeto do serviço e de seu processo de prestação e entrega (delivery), e não do relacionamento da empresa com o cliente... este sim, fator claro de diferenciação e vantagem competitiva sustentável.
6º. Fator: Maior foco da gestão na estratégia de valor a partir dos ativos intangíveis, uma vez que produtos e serviços não serão considerados mais diferenciais competitivos perenes das empresas. Desta forma, as companhias terão de concentrar a maior parte de seus esforços (investimentos) na busca pela diferenciação a partir dos ativos intangíveis, tais como modelo de negócios, gestão do conhecimento, capital intelectual, aumento de poder de barganha, marcas, patentes, direitos autorais, P&D, inovações, design, segurança, qualidade percebida, eficiência de processos, gestão de relacionamentos com stakeholders, fidelidade dos clientes, excelência do time de profissionais, etc.
7º. Fator: Capacidade de precificação dos ativos intangíveis, pois de nada adiantará remodelar todo arsenal competitivo corporativo a fim de suportar a busca por oportunidades e inovações, criando valor no ativo intangível e no conhecimento, formando pessoas competentes e influentes, construindo marcas e reputação ou buscando construir arquiteturas de processos mais eficientes se, de fato, todo esse novo modelo de valor não puder ser identificado, categorizado, precificado e gerenciado.
8º. Fator: Alocação de budget por projetos (e não por áreas), uma vez que as corporações estão cada vez mais projetizadas e os acionistas não mais apoiarão investimentos não justificados estratégica e financeiramente, havendo, portanto, a obrigação de se desenvolver métodos de alocação eficiente de recursos para investimentos corporativos. Assim, não fará mais sentido se alocar budgets anuais por departamento ou áreas, mas por projetos, mais facilmente delimitados, controlados e gerenciados. A nova razão será que cada ”dono” de projeto na empresa será um “empresário corporativo”, “sócio” da empresa que financiou seu projeto e, como tal, terá de dar resultados reais e tangíveis para continuar merecendo investimentos.
9º. Fator: Lógica do “EU S.A.”, ou seja, com a valorização do conhecimento e da experiência e com a efetiva gestão de recursos de maneira projetizada, o processo de definição de metas e gestão de performance tenderá a mudar radicalmente. Por seu lado, os profissionais não mais aceitarão os atuais modelos de remuneração, dada a capacidade comparativa e de auto-aprendizado proporcionada pelas novas tecnologias e pelo fluxo intermitente de informações e conhecimento. Assim, os colaboradores exigirão modelos de compensação mais justos, que paguem de fato o valor que qualitativamente ”pensam” que têm e que quantitativamente agregam, de fato, em resultados, às empresas.
10º. Fator: Necessidade de novos modelos de geração de valor para os acionistas e stakeholders das empresas, o que é óbvio de se inferir, quando se entende que a empresa possui uma cadeia de valor composta por diversos stakeholders e que cada um deles tem interesses e realiza trocas específicas com a empresa e que, como tal, devem ser “remunerados” a contento.
11º. Fator: Novo sistema contábil, dado que o hoje vigente e mais que centenário modelo de Pareto, adaptado para o mundo da indústria e do tangível, não responde, considera ou abarca, nem de longe, o real valor gerado e capturado por corporações nos diversos setores de atuação, nos diversos países, a partir de seus intangíveis.
12º. Fator: A proteção (física e jurídica) de valor, pois, se todo esse processo de criação de valor intangível é válido e, realmente, irá fazer parte da agenda de metas das empresas, então passa ser essencial sua para o acionista e para os demais stakeholders exigirem a proteção de valor dos intangíveis e de seus insumos geradores, tais como informações estratégicas, conhecimento, dados corporativos, documentos internos, modelos decisórios, políticas corporativas, etc.
13º. Fator: Premência da evolução do
sistema jurídico, que, apesar de
sempre a reboque da evolução sócio-tecnológica, deverá ser capaz de entender, tipificar,
arbitrar e julgar nessa nova ordem sócio-econômica, tão diferente da atual.
Desta forma, competir no futuro passa por ser capaz de entendê-lo e de trazer a termo presente as ações e decisões que levarão as empresas a serem bem-sucedidas na nova ordem mutante, que se retro-configura a cada novo dia de trabalho.
1.4. As principais tendências corporativas verificadas atualmente - Os intangíveis ganham status de objeto de gestão
1.4.1. Sustentabilidade Corporativa
Após analisarmos cada um dos 13 Fatores que nortearão a competitividade das empresas nos próximos anos, percebemos que sobreviver corporativamente hoje e no futuro passa por entender que qualquer organização empresarial faz parte de um todo, que deve ser sustentável per se para poder evoluir.
Portanto, para que
as empresas consigam ter sucesso, seu ambiente, sua cadeia, formada pelo
conjunto de seus stakeholders diretos e indiretos, deve ter sucesso e deve
prosperar, o que torna a empresa co-responsável por este processo, juntamente
com governos, academia, ONGs e os próprios cidadãos.
Ultimamente, Sustentabilidade
Corporativa passou a ser mais que um conceito importante. De fato, passou a ser
um vetor determinante no sucesso das empresas, seja por estimular sua
capacidade de interagir com seus stakeholders gerando ganhos para ambas as
partes, seja por sua preponderância de construção de reputação e credibilidade
a partir de questões como transparência, ética, cidadania corporativa e
responsabilidade social empresarial. Portanto, o conceito de Sustentabilidade
Corporativa, embasado no chamado tripple bottom line ou tripé resultado
econômico-financeiro X resultado social X resultado ambiental é cada vez mais
valorizado por acionistas, clientes e colaboradores, tornando-se um imperativo
para o sucesso das corporações.
Antes de tudo, Sustentabilidade Corporativa se refere a uma postura, uma forma de conduzir as atividades empresariais. Ser, pensar, decidir e agir de forma sustentável requer um processo de entendimento, negociação e integração construtiva entre todos os agentes de relacionamento de uma empresa ao olhar dos princípios e valores da própria organização e de sua ética.
A forma como a empresa se relaciona com seus acionistas, clientes, sociedade, fornecedores, Estado, meio-ambiente ou com os seus funcionários deve refletir esses valores e essa postura ética e deve ser questionada e medida sistematicamente, uma vez que todos esses stakeholders (ou seja, sua cadeia de valor e interesses) são co-responsáveis pelo crescimento sustentado e equilibrado do todo.
Pensar em lucro é premissa de existência de uma empresa; mas não finalidade absoluta. O lucro empresarial é imperativo e deve ser exigido das empresas (como forma de mensuração de seu direito de existir como agente econômico de transformação sócio-econômica); porém, deve ser entendido como meio, energia, combustível que permite à empresa atingir seus objetivos e sua missão.
Ao mesmo tempo, a sociedade, na figura de suas ONGs, dos órgãos governamentais, da imprensa e na própria figura do indivíduo-cidadão (como eleitor, consumidor e acionista/investidor) passa a exigir das empresas, principalmente as de capital aberto, que estas adotem a prática da transparência no seu processo de governança corporativa e distribuição de riqueza, obrigando-as a mostrar, a quem de direito, que estão devolvendo à sociedade (em diferentes formas) os recursos que utilizam para produzir suas riquezas. Mais que intenção, sustentabilidade triple bottom line é resultado aparente e transparente.
Por sua monta, os consumidores estão cada vez mais cientes do seu poder de transformação social e começam a demandar mais responsabilidade das empresas no que se refere às questões sociais e ambientais. Para jogar o jogo de hoje, é preciso pensar além dos ganhos empresariais, é preciso avaliar o que a comunidade, a região, país e mesmo o mundo vão ganhar com o sucesso da empresa.
Em outras palavras, a capacidade de gerar riqueza de uma empresa, como agente econômico, passa a ser, cada vez mais, fundamentalmente dependente de sua aprovação social, obtida com seus processos de satisfação social (instrumentos que a empresa adota para mostrar à sociedade interessada que é socialmente responsável, tais como publicação de Balanço social e de Balanço de Intangíveis, instituição de ONGs, relações públicas, programas especiais de apoio, patrocínio, fomento, etc), segundo nosso entendimento.
Isso quer dizer que, sem aprovação social, a capacidade comercial (e, portanto, de sobrevivência da empresa no longo prazo) tende a ser comprometida. E isto afeta aos acionistas, executivos, funcionários e a toda cadeia de stakeholders envolvida direta e indiretamente em suas operações.
Se isto é verdade, então ter sua postura de empresa tri-sustentável reconhecida pela sociedade (e consumidores) passa a ser tão importante quanto a excelência e o sucesso em sua atividade fim, o que configura Sustentabilidade Corporativa como um ativo intangível fundamental da empresa, uma vez que é ativo, por ter seu valor reconhecido, mas é intangível, por ser de difícil qualificação e de quantificação ainda impraticável (ou, no melhor dos cenários, ainda carente de modelos formais homologados para a prática gerencial-contábil).
Não é de hoje que sabemos que a imagem da empresa é “quase” tudo o que ela tem no mercado. Reputação é nome do jogo no futuro. Uma marca, símbolo da organização, bem cuidada ao longo dos anos vale mais do que qualquer ganho de curto prazo.
1.4.2. Gerenciamento de Stakeholders
A partir das colocações anteriores, fica mais do que claro que, para serem capazes de se posicionar a altura das exigências e expectativas na nova ordem dos negócios, as empresas precisam ser capazes de gerenciar seus relacionamentos corporativos de maneira eficaz. Os relacionamentos corporativos envolvem uma grande quantidade de frentes, pontos de contato e modelos de interação com os mais variados tipos de agentes econômicos (stakeholders) orbitais nos ambientes em que uma empresa opera e transaciona.
Gerenciamento de Stakeholders, ou seja, desenvolver a capacidade sistêmica de estabelecer contatos, conexões e trocas de valor recíproco e personalizado com cada um desses agentes é fundamental e essencial à vida de todas as empresas, uma vez que sistemas ou organismos entrópicos (fechados, que não trocam com o meio e com os outros agentes) não sobrevivem a ambientes em constante evolução – como podemos definir os mercados globais hoje, pautados pela lógica das redes (networking environment) ou cadeias de valor (value chain).
Historicamente, as empresas sempre estiveram acostumadas a estabelecer relações com seu público colaborador (funcionários, terceiros, etc) e com seu público transacional (clientes, fornecedores, parceiros, revendedores, distribuidores, ou seja, integrantes da chamada cadeia de suprimentos (supply-chain), bem como com seus acionistas e com o mercado financeiro).
Entretanto – e cada vez mais acentuadamente – as empresas têm se visto forçadas a desenvolver relações particulares de colaboração, resposta e até defesa frente a outro tipo de público, antes fora de seu espectro de valor – o chamado público influenciador, formado pelas ONGs, governos, imprensa, mídia em geral, universo acadêmico, redes e comunidades de prática, sindicatos, órgãos reguladores, ex-funcionários, potenciais colaboradores, associações de classe, sites de Internet e mesmo concorrentes, dentre outros. Gerenciar estas relações, estes stakeholders, passou a ser outro mandamento corporativo fundamental.
Abaixo, mostramos a evolução da tradicional cadeia de suprimentos (supply-chain), desenho de uma economia linear-industrial, para a moderna cadeia de valor (value-chain), espelho efetivo da economia de redes que ampara nossos mercados.
Modelo Padrão de Cadeia de Suprimentos (Supply Chain)

Modelo Padrão de Cadeia de Valor (Value Chain)

Esse processo de gerenciamento, que visa trazer o máximo de ganhos
possíveis à empresa e seus stakeholders simultaneamente parte de uma
identificação detalhada de cada stakeholder, de suas motivações, interesses,
valores, senso de oportunidade e ameaça, papel e posição nas cadeias de valor
das quais participa, bem como sua correlação com as operações de sua empresa e
seu futuro conjunto.
Dado que as empresas não conseguem mais operar ou trabalhar desenvolvendo a totalidade de suas operações per se, completamente de forma autônoma, e dado que devem escolher as redes de valor às quais pretendem ingressar (ou eventualmente criar), a busca por sinergia de valores e interesses, de complementaridades de habilidades, foco e recursos com outros agentes, bem como a capacidade de gerar e proteger valor nas trocas feitas desejosamente ou forçosamente com cada um destes stakeholders, tornou-se um dos pontos críticos de sucesso – e de vantagem competitiva – para as empresas nos dias de hoje.
Assim, competir, colaborar, exigir, ceder e comunicar são alguns dos ingredientes que devem ser muito bem balanceados na fórmula estratégica a ser adotada pelas empresas em suas receitas exclusivas para vencer a concorrência, remunerar acionistas e conquistar a admiração de todos os seus públicos de interação.
A visão de ganhos no médio e longo prazo, assim como o ganha-ganha multilateral devem ser os direcionadores absolutos em assuntos de interdependência de valores, interesses, visões, escolhas, objetivos, metas, projetos, trabalhos, produtos e serviços nos mercados de hoje e de amanhã.
O grande desafio é garantir que todos os participantes do jogo entendam que a satisfação plena dos acionistas só é atingida quando conseguimos satisfazer, ao mesmo tempo, os demais stakeholders, tais como os consumidores e clientes, governos, funcionários e fornecedores.
O racional deste pensamento pode ser quase totalmente visualizado nos demonstrativos de resultado de uma empresa, onde temos a receita com clientes, os impostos pagos ao governo, os gastos com pessoal e fornecedores, os patrocínios sócio-culturais e, por fim, a remuneração mínima esperada dos investidores.
1.4.3. Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva
1.4.3.1 Gestão do Conhecimento
Como vimos, estamos diante de um cenário de rara complexidade, tanto no mundo corporativo, como na sociedade em geral.
Fenômenos econômicos e sociais, de alcance mundial, são responsáveis pela reestruturação do ambiente de negócios. A globalização da economia, impulsionada pela tecnologia da informação e pela malha intermitente, multiformato e multicanal de comunicações, é uma realidade da qual não se pode escapar. É nesse contexto que o conhecimento, ou melhor, que a Gestão do Conhecimento se transforma em um valioso recurso estratégico para a vida das pessoas e das empresas.
A gestão coerente dos chamados ativos intangíveis de uma organização, tais como o conhecimento e a inovação, tem sido enxergada pelos líderes mais globalizados como fator preponderante no sucesso competitivo das empresas, uma vez que este conjunto de valores, ainda que fracamente qualificável e quantificável, é responsável por criar a diferenciação capaz de garantir às empresas condições de enfrentar a competição voraz dos concorrentes, responder às exigências dos clientes e amansar a pressão dos acionistas.
Não é de hoje que o conhecimento desempenha papel fundamental na história. Sua aquisição e aplicação sempre representaram estímulo para as conquistas de inúmeras civilizações. No entanto, apenas “saber muito” sobre alguma coisa não proporciona, por si só, maior poder de competição para uma organização. Na verdade, é somente quando aliamos o conhecimento à sua gestão eficiente que ele faz diferença.
A criação e a implantação de processos que gerem, armazenem, gerenciem e disseminem o conhecimento representam dos mais importantes desafios a serem enfrentados pelas empresas nos dias de hoje. Termos como “capital intelectual”, “capital humano”, “capacidade inovadora”, “ativos intangíveis” ou “inteligência empresarial” já fazem parte do dia-a-dia de muitos executivos.
O conceito de Gestão do Conhecimento parte da premissa de que todo o conhecimento existente na empresa, na cabeça das pessoas, nas veias dos processos e no coração dos departamentos das empresas, pertence também à organização. Em contrapartida, todos os colaboradores que contribuem para que esse sistema enriqueça podem e devem usufruir do mesmo, tendo acesso qualificado ao conhecimento presente na organização, seja para a evolução de seu trabalho na empresa, seja para evolução de suas carreiras.
Ora, todos sabemos que sem o conhecimento como ativo estruturado, analisável e reutilizável evolutivamente (seja tácito ou explícito, seja oficioso ou oficial), uma empresa global terá sérias dificuldades em se manter competitiva nos mercados em que atua. Assim, gerenciar corretamente e vantajosamente dados, informações e transformá-los em conhecimento de valor é necessidade crucial das empresas que realmente esperam prosperar.
A Gestão do Conhecimento (GC), como prática e processo gerencial, visa a proporcionar à empresa a competência sistêmica de adquirir, transformar, armazenar e disseminar conhecimento de maneira útil, personalizada, responsável e lucrativa para seus colaboradores e agentes de relacionamento.
Para nós, empresas modernas, vencedoras na Era do Conhecimento são arquiteturas abertas capazes de aprender, evoluir, cooperar e competir. São arquiteturas que trocam, captando do meio, transformando e devolvendo, de preferência com seu toque pessoal, com sua essência, e a partir de seus valores. A tecnologia é somente o meio para tornar isso mais vivo e mais rápido. E a Gestão do Conhecimento, a forma como gerencia todos esses elementos.
Resumidamente, Gestão do Conhecimento significa organizar e sistematizar, em todos os pontos de contato (nós de processos, elos de departamentos, interações com stakeholders, etc), a capacidade da empresa de captar, gerar, criar, analisar, traduzir, transformar, modelar, armazenar, disseminar, implantar e gerenciar a informação, tanto interna como externamente. Essa informação deve ser transformada efetivamente em conhecimento e distribuída – tornando-se acessível – aos interessados. Assim, a informação aplicada, o conhecimento, passa a ser um ativo da empresa, um ativo intangível de valor único, exponencialmente remunerado e de difícil imitação.
Portanto, criar este conhecimento e gerar valor a partir dele é uma espiral evolutiva. Não é atividade finita, imutável ou pré-determinada. A cada interação, a cada colaboração entre diferentes cérebros, este conhecimento evolui, criando as organizações que aprendem, que se adaptam e que antecipam – as chamadas “learning organizations”. O conhecimento, como ativo, apresenta lógica de valor inversa em relação aos ativos formais: para o ativo conhecimento, a lei da depreciação não vale; conhecimento, quanto mais utilizado, quanto mais disseminado, mais valor agrega, mais valor tem.
1.4.3.2 Inteligência Competitiva
Porém, com a experiência adquirida com a prática, sabemos que gerenciar conhecimento é só uma parte deste processo. Ser capaz de identificar, monitorar, entender e absorver informações, dados, sensações, tendências e transformá-los em conhecimento é habilidade igualmente importante.
As empresas são como pequenas sociedades que precisam garantir sua sobrevivência no meio em que vivem (e, às vezes, do próprio meio em que vivem) e, para isso, precisam conhecer seus pontos fortes e fracos e serem capazes de perceber as ameaças e oportunidades existentes, tanto intrínsecas de seu meio, como causadas pelos demais competidores, colaboradores e participantes.
A Inteligência Competitiva (IC), como processo corporativo, tem sido altamente requisitada pela alta gestão das companhias como ferramenta capaz de antenar a empresa ao novo cenário competitivo que enfrentam e enfrentarão, calcado pela lógica global, digital e intangível, fatores fundamentais de sustentação da Era do Conhecimento. Podemos, portanto, dizer que IC é a antena da corporação, o sensor mercadológico capaz de atrair informações que serão (ou não) tratadas como conhecimento, a partir de critérios como utilidade, valor, confiabilidade, etc, oriundas de cada stakeholder do mercado de atuação da empresa, mormente concorrentes, fornecedores e clientes.
As informações públicas ou mesmo garimpadas no mercado, quando trabalhadas de acordo com a estratégia da empresa (modelos BSClike) e seus direcionadores estratégicos KPIs (Key Performance Indicators), podem e devem servir como insumo e suporte aos processos de tomada de decisão dos executivos nos diversos níveis corporativos.
Assim, podemos dizer que o desafio da IC é agregar a uma empresa a capacidade de trabalhar tanto a informação pública, como a informação confidencial, seja esta oficial ou oficiosa, como conhecimento diferencial e orientador de processos de tomada de decisões táticas e estratégicas.
1.5. Os sinais da Era do Intangível
Depois de analisarmos as principais tendências corporativas que nos apontam ao inexorável caminho da gestão de valor dos intangíveis, vale concentrar o estudo nos sinais que determinam ao observador mais atento a capacidade de perceber que vivemos, de fato, na Era do Intangível, na chamada Sociedade do Conhecimento, como proposta por Dana Zohar.
1.5.1 A Sociedade do Conhecimento
Vários são elementos que apontam para esta chamada Sociedade do Conhecimento, onde o saber vale, em muitos casos, mais que o ter e onde o saber utilizar pode valer mais do que produzir. Dentre os principais fatores basais deste novo padrão de Sociedade podemos citar:
1.5.2 Contexto de Presente
Para melhor compreensão da “cara” de nosso futuro próximo, um olhar mais educado para o presente se faz necessário. Senão vejamos alguns fatos que atestam esta afirmação:
1.5.3 Contexto de Futuro
Projetando os sinais verificados atualmente, podemos enxergar no futuro um conjunto de fenômenos irrevogáveis, que servirão de premissa para qualquer planejamento corporativo. Dentre os principais podemos apontar:
1.5.4 A Era do Conhecimento
Vale também investigarmos alguns dos vetores que caracterizam a chamada Era do Conhecimento. São eles:
1.5.5 O Universo do Intangível
Por tudo que apresentamos até agora, podemos concluir que saímos do Universo do Tangível para a entrarmos definitivamente no Universo do Intangível. Vários são os sinais dessa transição, dentre os quais se destacam fatores como:
Mas, sem dúvida nenhuma, o indicador mais característico desse processo em que vivemos mundialmente é o crescimento exponencial do volume de empregos gerados nos setores de serviços e comércio X a redução de empregos nos setores industrial e agrícola e a conseqüente migração de valor e relevância econômica - traduzida em consumo - que as empresas mais "intangíveis", digamos assim, assumem nos mercados e países.
Dessa forma, nos debatemos diariamente com o fato de evoluirmos, acelerados pela globalização, pressões sociais, crescimento da internet e da tecnologia da informação, rumo a um processo inexorável de rediscussão completa dos modelos atuais de valoração de ativos, que hoje respondem à lógica agro-industrial, mas que sem dúvida ainda deixam enormemente a desejar quanto a incluir os chamados ativos intangíveis em suas estruturas.
Em outras palavras, urge se encontrar matemática, consenso e homologação de padrões de identificação, categorização, qualificação e quantificação de ativos intangíveis, para que as empresas, os entendendo, possam se reorganizar para os gerarem de maneira consistente, sistemática, mensurável e auditável, como hoje ocorre com os chamados ativos tangíveis.
Nessa nova era que se apresenta – a Era do Conhecimento – que substitui a Era Industrial atropelando a Era dos Serviços e a Era da Informação, o principal ativo que um profissional, uma empresa, uma ONG, um país dispõe para sobreviver é o Conhecimento Competitivo.
Entendemos por Conhecimento Competitivo tudo aquilo que um agente econômico dispõe para utilizar no sentido de sobreviver e prosperar competitivamente.
São exemplos deste chamado Conhecimento Competitivo fatores como experiência, sabedoria, cultura, inteligência, poder de lógica, análise e síntese, criatividade, opinião, capacidade de tomar decisão, capacidade de execução, capacidade de aprendizado e desaprendizado, capacidade de ensinar, capacidade de se comunicar e se relacionar, know-how, modelos, metodologias, frameworks, arquitetura de processos e sistemas eficientes, know-who, redes de relacionamentos, acesso a fontes de informações, imagem, marca, beleza, etc..., enfim, uma vasta e ainda controversa gama de ativos intangíveis que podem ser utilizados por profissionais, organizações, empresas ou países.
Esses ativos são os verdadeiros diferenciais competitivos que cada agente econômico deve saber fazer acúmulo e uso para sobreviver e prosperar. Esse conjunto de ativos, hoje – e, principalmente no futuro – terá mais valor que os chamados ativos tangíveis (máquinas, prédios, vendas, estoques, etc), uma vez que os ativos tangíveis (“metade do valor das empresas”) são necessários (fundamentais) à competição, mas não diferenciais.
Com os tangíveis competitivos, o agente econômico se habilita a competir, mas seu sucesso (sobrevivência e lucro) está condicionado diretamente ao valor que consegue construir a partir dos ativos intangíveis (“a outra metade do valor das empresas”).
Portanto, e obviamente, se tudo isto tem valor, este valor deve ser medido e, uma vez medido, reportado ao acionista, aos (potenciais) investidores, aos mercados, à sociedade, aos stakeholders em geral. E aí que temos um grande problema.
Ao contrário dos tangíveis, ainda nos falta matemática para quantificarmos estes ativos. Antes disso, falta-nos modelos homologados de identificação, categorização e qualificação desses ativos (vide Metodologia IAM da DOM Strategy Partners).
Antes de nos lançarmos em definir modelos de quantificação de cada um desses ativos, precisamos homologar sua natureza, entendê-los como grandezas, reduzir incertezas, para depois definirmos – e homologarmos globalmente – um modelo de valoração que possa ser refletido em um novo modelo de balanço (algo que o IFRS busca trazer timidamente), que possa ajudar a precificar melhor o valor da ação de cada empresa, unidade básica de garantia de entrada de recursos para a sobrevivência e crescimento das mesmas.
Caso deseje ter acesso à integra do estudo ou requisitar uma apresentação técnica ou workshop, entre em contato através do Fale Conosco, colocando o nome do estudo no título da mensagem.
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